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Alexandre Travassos, Fórmula 1 e a importância das extracurriculares na sua vida profissional


As Universidades públicas são atualmente as grandes protagonistas das pesquisas científicas e tecnológicas no país. Cotidianamente, milhares de estudantes progridem em suas investigações e chegam mais perto de resultados promissores para a ciência brasileira, comprovando a formação qualificada. Isso acontece devido à infraestrutura das Universidades, que apesar dos cortes nas verbas, continua muito avançada, e também devido à capacitação de alta qualidade dos docentes e orientadores.

No entanto, esses não são os únicos fatores responsáveis pela construção de profissionais tão competentes e especializados como os que têm saído das instituições públicas de educação superior. Há ainda um terceiro elemento que pode alavancar a formação profissional dos estudantes: as atividades extracurriculares.

O destaque de hoje é um dos ex-participantes de extracurriculares da Unicamp, Alexandre Berzoini Travassos que hoje trabalha na Mercedes AMG High Performance Powertrains (HPP), desenvolvendo os motores utilizados na Fórmula 1. Em entrevista com o Fundo Patronos, ele conta sobre a sua trajetória e como as atividades extracurriculares impactaram no desdobramento da carreira.


Trajetória profissional



Ainda durante a graduação, Alexandre foi estagiário na Ford, na área de calibração de motores; foi efetivado em 2010 e ficou até 2016. Lá, desenvolveu modelos e motores novos, com primeira aplicação no Brasil, e disse que a vivência das extracurriculares proporcionou maior facilidade na atuação nos projetos.

Com a indicação de um outro ex-aluno da Unicamp, se mudou para a Inglaterra e assumiu uma posição de engenheiro de calibração na Jaguar Land Rover, em 2016. Desta vez trabalhou com projetos mais avançados e mais inovadores. Também teve contato com pesquisas de turbo elétrico, injeção de água no motor, alternativas para otimizar o consumo e potência específica.

Nesta primeira vivência fora do país, Alexandre contou que conheceu muitos brasileiros das Universidades públicas brasileiras e percebeu como o perfil de alunos da Unicamp é valorizado no exterior por conhecerem muito da parte técnica do trabalho, com alta expertise teórica e prática.

Passado algum tempo, recebeu a mensagem de um headhunter pelo LinkedIn que ofereceu uma entrevista para a Mercedes HPP para desenvolver os motores de 2026, onde ele está hoje.

No momento da conversa com o Fundo Patronos, Alexandre estava em sua quarta semana na Mercedes HPP. Suas primeiras impressões são boas - há muito fundamento técnico na empresa e ele irá contribuir com a resolução de problemas e aperfeiçoamento dos projetos, habilidades adquiridas graças à Unicamp e às extracurriculares.


A participação nas atividades extracurriculares como potencializador da carreira



O Alexandre foi um aluno de Engenharia Mecânica que ingressou na Unicamp em 2006. Ele contou que sempre gostou de mecânica automotiva e tinha afinidade com o assunto, mas queria aprender muito mais durante os anos de graduação. Um dos fatores que o ajudou a escolher a Unicamp, além da posição de excelência no Brasil, foi a existência das atividades extracurriculares.

Logo no primeiro ano do curso, ele participou da criação da equipe de Fórmula SAE. O grupo de fundadores conseguiu uma oficina realocada e também algumas doações de ferramentas para começarem o projeto do zero. Por conta de conhecimentos anteriores de cada um dos integrantes, eles sabiam o que precisavam fazer, mas ainda assim enfrentaram grandes desafios para tornar o projeto uma realidade, como por exemplo a falta de recursos e de apoio da Universidade.

Alexandre conta que o grupo foi realista quanto à atuação naquele primeiro momento e colocaram como meta aprender mais durante o ano de 2006 para que em 2007 pudessem ter um carro para a competição de Fórmula SAE – e foi isso o que aconteceu. Foram a melhor equipe estreante com um carro na competição e ficaram na sexta posição geral dentre 15 grupos. Já no segundo carro que desenvolveram, obtiveram o aprendizado que ele resumiu como “não se deve dar um passo maior que a perna”. A equipe optou por um projeto complexo em quase todas as áreas sem ter o real conhecimento de quão difícil seria concluí-lo. Isso acabou inviabilizando a construção de um veículo competitivo. Felizmente, nos anos seguintes, a equipe aprendeu com os obstáculos e obteve grandes resultados.

Em 2008, Alexandre transicionou para uma nova equipe em fase de renovação - a equipe Unicamp Baja SAE. Essa nova extracurricular possibilitou que ele entrasse em contato com novas metodologias de trabalho e desse continuidade ao projeto. Alexandre fez parte da equipe de Baja até o último ano da graduação.

A participação nas equipes de Baja e Fórmula tiveram impacto drástico em sua trajetória profissional; ele disse que “se não fosse isso, acho que não estaria onde estou hoje”. As atividades extracurriculares permitiram que ele tivesse uma base de vivência maior, onde adquiriu maiores conhecimentos técnicos, aprendeu a trabalhar em equipe e gerir pessoas, além de compreender como conseguir balancear a carga de trabalho com estudos e com a vida pessoal. Toda essa experiência contribuiu para suas contratações nas empresas em que trabalhou e, mais que isso, facilitaram o trabalho dele muitas vezes.


Como dica para os ainda alunos da Unicamp, ele destaca:

  1. Faça parte de pelo menos uma extracurricular ao longo da graduação – idealmente uma que tenha relação com a área que pretende seguir;

  2. Se ainda não sabe qual área quer seguir, tente algumas extracurriculares - isso poderá ajudar a se identificar com alguma das áreas;

  3. Lembre-se de tentar balancear a carga das atividades extracurriculares com as disciplinas da graduação;

  4. Tenha foco nas matérias de base do curso, pois elas podem impedir a matrícula em outras matérias mais à frente;

  5. Em sua primeira experiência profissional, tente aplicar tudo o que aprendeu enquanto os conteúdos ainda estão frescos na memória, pois quem já se formou há mais tempo costuma não se lembrar mais e recém-formandos podem, assim, demonstrar seu valor

O Fundo Patronos tem um grande respeito e compromisso com as atividades extracurriculares. O Fundo será sempre um defensor desses projetos e, por isso, trabalha para cada vez mais apoiar os projetos extras e colaborar efetivamente para o avanço da ciência e da sociedade.


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